Organizações pedem rapidez ao STF no julgamento da Lei Cota Zero no MT


A petição, apresentada pelo Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad) e outras organizações ambientais, aponta efeitos negativos das leis estaduais durante o período de cinco anos. Entre os impactos, estão as perdas econômicas e a baixa assistência aos pescadores afetados.
Notícias relacionadas:
- Reduzir morte de albatrozes implica mudanças na pesca em alto-mar.
- Carbono azul ganha espaço na agenda climática dos oceanos.
- Pesca de tainha na modalidade arrasto de praia está suspensa.
A petição destaca “que a justificativa de proteger o meio ambiente não é verídica, como tampouco foi prioridade desde o advento da mudança legislativa na política estadual da pesca”.
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
As organizações sociais argumentam ainda que haveria a exclusão de mais de 83% dos pescadores artesanais do estado ao direito de receber auxílio pecuniário, por exigir escolaridade para o registro profissional necessário para acessar o benefício.
“Foram omitidos os impactos aos pescadores artesanais, tais como afetação do modo de vida tradicional, insegurança alimentar, enfraquecimento das comunidades ribeirinhas, perda de renda, marginalização e vulnerabilização social. Por outro lado, apresentaram-se dados positivos à estruturação do turismo de pesca”, reforça a petição.
O documento aponta ainda uma nota técnica de estudo da organização social WWF-Brasil, que estimou a perda de rendimento direto pela comercialização em R$ 21,04 milhões ao ano e um prejuízo socioeconômico de R$ 33,89 milhões anuais somente na região da Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai.
O estudo aponta ainda que em todo o estado a pesca profissional artesanal é responsável por gerar R$ 102,7 milhões ao ano, sendo mais da metade - R$ 59 milhões - oriunda da venda do pescado.
Já o turismo de pesca, única atividade favorecida pelas legislações, segundo as organizações sociais, gera R$ 54,9 milhões ao ano.
A Assessoria de Imprensa do governo do Mato Grosso foi procurada pela Agência Brasil para esclarecer os critérios de acesso aos benefícios compensatórios oferecidos aos pescadores, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania, e para se manifestar sobre a inexistência dos projetos de recuperação das populações de espécies de peixes. Até a publicação desta reportagem, o governo de Mato Grosso não havia se posicionado. O espaço permanece aberto para manifestação.


