Segurança viária ainda avança lentamente entre governos e empresas, apesar do impacto econômico e social
Falta de integração, uso de dados e monitoramento contínuo limita avanço de iniciativas para reduzir acidentes no trânsito
Giovana Lino - Falconi
Divulgação
Divulgação Ações para melhoria da segurança viária avançam lentamente entre governos e empresas, apesar do impacto direto dos acidentes sobre produtividade, logística, saúde pública e custos operacionais. Especialistas apontam que faltam ações coordenadas, uso estruturado de dados e monitoramento contínuo para reduzir fatalidades de forma consistente.
Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,19 milhão de pessoas morrem anualmente em acidentes viários no mundo, enquanto entre 20 milhões e 50 milhões ficam feridas. No Brasil, as mortes no trânsito cresceram 6,5% entre 2023 e 2024. Apesar disso, iniciativas preventivas ainda são conduzidas de forma fragmentada em grande parte das cidades e organizações.
Entre os principais desafios estão a baixa integração entre órgãos públicos, empresas e sociedade civil, além da dificuldade de utilizar inteligência de dados para antecipar riscos e direcionar intervenções preventivas. A ausência de acompanhamento permanente dos indicadores também limita a efetividade das ações voltadas à segurança viária.
O vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Serviços Públicos, Vinicius Brum, afirma que a segurança viária precisa ser tratada pelas organizações como parte da estratégia operacional. “Quando reduzimos acidentes, reduzimos também perdas financeiras, interrupções logísticas, afastamentos e impactos na produtividade. É uma agenda que combina preservação de vidas com eficiência operacional”, diz o executivo.
Resultado na prática
O uso de tecnologia e inteligência artificial aparece como uma das principais apostas para ampliar a capacidade de prevenção de acidentes e óbitos. Plataformas preditivas já começam a ser utilizadas para apoiar órgãos públicos na identificação de áreas com maior risco de acidentes, cruzando informações históricas com fatores causais, além de considerar também variáveis como clima, ocorrência de eventos esportivos, dinâmica dos modais de transporte e fluxo viário, por exemplo.
Um exemplo pode ser visto com a Fundação AB InBev, que desenvolveu o Portal da Segurança Viária, plataforma preditiva criada para apoiar órgãos públicos na identificação de áreas com maior risco de acidentes. Durante validações realizadas em cidades como São Paulo e Belo Horizonte, os modelos baseados em machine learning alcançaram índices de exatidão próximos de 80% na identificação de regiões com maior probabilidade de ocorrências.
“Os dados mostram que ações isoladas têm pouco efeito quando não possuem um entendimento dos impactos sistêmicos na dinâmica do trânsito ou não são acompanhadas de monitoramento contínuo e integração entre diferentes áreas. O que temos observado nos projetos é que a combinação entre gestão estruturada, monitoramento das ações e engajamento dos agentes de trânsito, diretos e indiretos, aumenta significativamente a capacidade de reduzir acidentes e salvar vidas”, diz Brum.
Um dos exemplos desse modelo é o “Programa Road Safety”, iniciativa global desenvolvida pela Fundação AB InBev com apoio da Falconi. O projeto atua em 34 localidades no mundo com foco na redução de fatalidades no trânsito por meio de ações orientadas por dados, fortalecimento da governança e uso de tecnologia para prevenção de acidentes.
O programa já impactou milhares de vidas e economizou centenas de milhões de dólares para a economia destas localidades. Já são mais de 113 intervenções implementadas globalmente, mais de 20 práticas compartilhadas entre países participantes, criando uma rede de compartilhamento de aprendizados, e o engajamento de mais de 100 órgãos responsáveis, incluindo governos, ONGs e empresas privadas.
“O uso de inteligência artificial amplia a capacidade de prevenção. Hoje conseguimos antecipar riscos, identificar padrões críticos e apoiar intervenções antes que os acidentes aconteçam. A tecnologia se tornou uma aliada importante para salvar vidas e aumentar a eficiência das operações, fazendo um melhor uso do dinheiro e dos recursos públicos do Estado para resolver problemas da sociedade”, afirma o executivo.


