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Boa Vista,14/05/2026

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Comissão vai recomendar fim da interferência política em "lista suja" do trabalho escravo

camara.leg.br
Comissão vai recomendar fim da interferência política em "lista suja" do trabalho escravo


Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Audiência Pública - Crescimento dos registros de trabalho escravo no Brasil.

Debate ocorreu no dia 13, dia em que se recorda a abolição da escravatura


A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados enviará recomendações formais à Casa Civil e aos ministérios do Trabalho e dos Direitos Humanos para garantir que não haja interferência política na divulgação da chamada "lista suja", o cadastro de empresas envolvidas com trabalho escravo.


A comissão realizou, nesta semana, duas audiências públicas para debater o aumento dos registros de trabalho escravo no Brasil. No primeiro debate, especialistas denunciaram a interferência política na lista de empresas condenadas por trabalho escravo.


Na quarta-feira (13), dia em que se comemora a Abolição da Escravatura, o debate focou nas violações em cadeias produtivas agrícolas e nos impactos de investigações internacionais sobre o setor.


O autor do requerimento, deputado Padre João (PT-MG), destacou que a persistência dessa prática é uma "vergonha nacional" e cobrou ações efetivas para erradicar o crime.


"O 13 de maio não tem que ser celebrado, é dia de denúncia. Temos que afiar a ferramenta para erradicar isso de vez", afirmou o parlamentar, que pediu encaminhamento de ofício aos órgãos competentes para garantira eficácia e a integridade das políticas de combate ao trabalho escravo, incluindo a manutenção de instrumentos de transparência.



Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Audiência Pública - Crescimento dos registros de trabalho escravo no Brasil. Coordenador-geral de Erradicação do Trabalho Escravo, Day Carvalho Coelho.

Day Carvalho defendeu fortalecimento do cadastro de empregadores


Políticas públicas e fiscalização

Representantes do governo federal destacaram o fortalecimento dos mecanismos de controle, mas admitiram desafios orçamentários e de pessoal.


O coordenador-geral de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério dos Direitos Humanos, Day Carvalho Coelho, reforçou que o modelo brasileiro é baseado na cooperação entre órgãos e na transparência. Ele defendeu a manutenção dos instrumentos atuais como forma de garantir a soberania das decisões brasileiras perante investigações internacionais.


Em resposta às críticas, Coelho afirmou que o país deve fortalecer os instrumentos internos existentes, como o cadastro de empregadores.


"Nenhum passo atrás naquilo que a gente já conquistou em termos de política pública para combate ao trabalho escravo", declarou.


Ele destacou ainda o Terceiro Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo de janeiro de 2026, que organiza as ações do Estado em eixos de prevenção, repressão e assistência às vítimas.


A coordenadora-geral de Fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, Shakti Prates, respondeu aos questionamentos sobre a capacidade operativa do órgão e a proteção dos procedimentos técnicos.


Ela enfatizou que o ministério busca a uniformização dos procedimentos e a disseminação das ações em todas as unidades regionais do país.


Em resposta à demanda por mais fiscais, informou que o ingresso de 900 novos auditores-fiscais do Trabalho em 2026 trouxe "fôlego" para a política de combate ao trabalho escravo, permitindo atender a um maior número de denúncias após um período de desmonte da carreira.



Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Audiência Pública - Crescimento dos registros de trabalho escravo no Brasil. Coordenadora-geral de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravizado e Tráfico de Pessoas, Shakti Prates.

Shakti Prates: ingresso de 900 novos auditores-fiscais trouxe "fôlego" para o combate ao trabalho escravo


Sugestões legislativas

Durante o debate, foram apresentadas propostas para endurecer o combate ao trabalho escravo:



  • aprovação do Projeto de Lei 572/22, que cria o marco nacional sobre direitos humanos e empresas;

  • regulamentação da Emenda Constitucional 81, que prevê o confisco de terras onde houver trabalho escravo para fins de reforma agrária;

  • criação de uma Lei Brasileira de Devida Diligência, para obrigar empresas a monitorarem suas cadeias produtivas.


Perfil das vítimas e racismo estrutural

Representantes da sociedade civil apontaram que o trabalho escravo no Brasil tem cor e classe social definidas.


Jorge Ferreira dos Santos, coordenador da Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (Adere) e ele próprio ex-vítima de trabalho escravo, apresentou dados indicando que 80% dos resgatados são homens negros e jovens.


Segundo Jorge, a falta de punição aos empregadores alimenta o ciclo.


"Por que o jovem preto que rouba uma carteira vai preso e o cara que rouba a dignidade de dezenas de pessoas continua impune?", questionou.


Luiza Buchaul, da Conectas Direitos Humanos, reforçou que o Estado tem falhado ao não enfrentar a discriminação estrutural que perpetua essa exploração.


Cadeia produtiva do café

O setor cafeeiro foi apontado como o recordista de resgates em 2025, especialmente em Minas Gerais. Natália Suzuki, da Repórter Brasil, informou que foram 212 vítimas no setor no último ano. Ela criticou a postura de grandes cooperativas e empresas que apenas bloqueiam fornecedores após o flagrante. "Descompromissar-se com o fornecedor depois que o problema está instalado é fácil; o difícil é corrigir a cadeia de forma estrutural", alertou.


O Ministério Público do Trabalho informou que está intensificando o projeto "Reação em Cadeia" para responsabilizar grandes empresas e cooperativas pelo que ocorre em suas bases fornecedoras.


O deputado Padre João prometeu levar o debate para as comissões de Agricultura e de Minas e Energia, visando atingir o "coração do agronegócio" e cobrar responsabilidade dos setores produtivos.




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