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Boa Vista,12/04/2026

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‘Hoje posso sorrir sem medo’, diz mulher acolhida pelo Grupo Flor de Lótus, da ALERR

Criado em 2024 pela Assembleia Legislativa, grupo terapêutico se tornou espaço de escuta para vítimas de violência doméstica

ALE RR
‘Hoje posso sorrir sem medo’, diz mulher acolhida pelo Grupo Flor de Lótus, da ALERR Deputada Joilma Teodora, secretária Especial da Mulher/ Foto Eduardo Andrade

 

 

Criado há dois anos pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), por meio da Secretaria Especial da Mulher, o Grupo Terapêutico “Flor de Lótus - Olhe-se com amor” simboliza não apenas um trabalho de resgate da autoestima de mulheres, mas também mostra como é possível implementar políticas públicas de apoio emocional para vítimas de violência doméstica, representando um passo importante para o rompimento do ciclo de dor e sofrimento.

 

O grupo chegou à sexta turma no primeiro semestre de 2026. Com isso, já passaram pelo “divã coletivo” cerca de 85 mulheres, sejam elas vítimas ou não de violência doméstica e familiar. Para saber se existem vagas disponíveis ou quando uma nova turma será aberta, envie mensagem para o ZapChame: (95) 98402-0502. Neste mesmo número, você pode enviar denúncias de violência.

 

Joana (nome fictício para preservar a identidade da participante) participou dos encontros em uma edição anterior. Ela afirma que o projeto, vinculado ao Centro Humanitário de Apoio à Mulher (Chame) foi um divisor de águas na vida dela.

 

“Hoje, eu posso sorrir sem medo, posso me sentir à vontade, falar o que penso, o que sinto, dizer não, porque antes do Chame eu não sorria, não me expressava, porque estava sempre com medo. Minhas amigas que acompanharam meu processo falam: ‘Você está com brilho, uma postura diferente, antes você era triste e tentava se esconder atrás de um sorriso. O Chame mudou a minha vida! Agradeço a toda a equipe de profissionais maravilhosos. Para nós, mulheres, é difícil no começo, mas o Chame mostrou que sou capaz, que eu consigo”, declarou.

 

Espaço de escuta e fortalecimento 

 

De acordo com o Atlas da Violência, 344 mulheres foram assassinadas entre 2013 e 2023 em Roraima. Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública complementam esse cenário de perigo e medo para as mulheres: foram 65 tentativas de feminicídio entre 2023 e 2024. Em se tratando de violência doméstica, foram mais de 4 mil ocorrências registradas pelas autoridades policiais, colocando o estado no topo do ranking de lugares mais perigosos para as mulheres.

 

O Grupo Flor de Lótus nasceu, portanto, da necessidade de proporcionar um espaço para curar as feridas emocionais que ficam depois de relacionamentos abusivos. É um suporte psíquico que envolve um processo de resgatar a autoestima e a identidade das mulheres, muitas vezes arrancadas e apagadas pelos agressores.

 

“Tem sido um espaço importante no acolhimento e na escuta dessas mulheres. O nome do grupo tem um simbolismo bonito: a flor de lótus nasce na lama, mas floresce com beleza. E assim acontece com muitas histórias que chegam até nós. São histórias marcadas por dor, violência ou silenciamento, mas que carregam grande capacidade de transformação”, ponderou a secretária Especial da Mulher, deputada Joilma Teodora (União). 

 

Você não está sozinha!

 

A turma do Grupo Flor de Lótus prevê 14 encontros semanais, com discussões sobre comportamento, impactos emocionais da violência, saúde mental, autoestima e empreendedorismo. A metodologia inclui rodas de conversa, palestras e momentos de partilha entre as participantes, com o objetivo de ampliar a rede de apoio e estimular novas perspectivas de vida.

 

Uma das responsáveis por acompanhar as mulheres, a psicanalista e servidora da secretaria, Janaína Nunes, descreve que, no início, as mulheres chegam com dificuldade de falar, pois estão muito marcadas pela vergonha ou medo. Ela comenta que, à medida que o grupo se fortalece, elas compartilham as experiências e percebem que não estão sozinhas.

 

“É o que chamamos de espelhamento. É interessante observar que, depois desse processo de troca, o grupo fica mais unido, as trocas ficam mais verdadeiras e solidárias, e uma mulher começa a sustentar a outra em sua caminhada. E isso é tão verdadeiro! O grupo mostra que, quando existe um espaço seguro de escuta, a palavra pode se tornar um caminho de cura. O sofrimento, que antes era vivido de forma solitária, passa a ser elaborado coletivamente, e muitas mulheres resgatam sua autoestima, sua voz e seu lugar no mundo”, avaliou.


Texto: Josué Ferreira




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