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Boa Vista,29/08/2026

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Projeto obriga escolas a adotar protocolo contra racismo

camara.leg.br
Projeto obriga escolas a adotar protocolo contra racismo


Depositphotos

Menina negra, racismo, preconceito racial, discriminação – Menina negra sentada no chão, em forma de concha, com as pernas dobradas e apertadas contra o tronco e o rosto escondido sobre os joelhos

Dados apontam aumento das denúncias de racismo no ambiente escolar


O Projeto de Lei 3170/26 cria o Protocolo Antirracista e torna obrigatória sua adoção por instituições públicas e privadas de educação básica e superior. O objetivo é prevenir, acolher e apurar casos de racismo, injúria racial e discriminação étnico-racial nas escolas.


O texto define racismo como conduta discriminatória dirigida a indivíduo ou grupo em razão de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional ou regional.


Acolhimento e apuração

Em análise na Câmara dos Deputados, o projeto prevê acolhimento imediato da vítima, com escuta qualificada e sem revitimização, apuração célere e imparcial dos fatos, responsabilização pedagógica e administrativa e comunicação aos órgãos competentes.


A proposta determina transparência no tratamento dos dados sobre os casos, com preservação do sigilo da vítima.


Entre as diretrizes está a educação para as relações étnico-raciais, conforme as leis que tratam do ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena (Leis 10.639/03 e 11.645/08).


Comunidade escolar

O protocolo deverá ser aplicado a toda a comunidade escolar: alunos, pais ou responsáveis, professores, servidores e trabalhadores terceirizados.


De acordo com a autora do projeto, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e relatórios do Disque 100 apontam aumento das denúncias de racismo no ambiente escolar.


Ela afirma que muitas escolas não têm orientação clara sobre como agir diante de denúncias de racismo. E ressalta que os casos podem ser tratados como “brincadeira” ou “conflito comum”, o que pode desestimular as vítimas a denunciar e levar ao sofrimento psíquico e à evasão escolar.


Próximos passos

O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Educação; de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Para virar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.


Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei




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